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Não a nós, Senhor, Não a nós

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“Non nobis, Domine, non nobis. Sed Nómini tuo da gloriam” (Sl 115)

 
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Ao iniciar o “Tempo Sacro da Quaresma” a Igreja nos faz um convite e um alerta: “Convertei-vos e crede no evangelho” (cf. Mc 1,15) e “lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (cf. Gn 3,19). É tempo de graça, perdão e penitência, de reconciliar-se com Deus e os irmãos. É tempo de silêncio espiritual, de fazer um encontro pessoal com Jesus.

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Como podemos encontrar o Senhor?

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Para esse tempo a Mãe Igreja nos orienta as práticas quaresmais: a oração, o jejum, a penitência e a esmola. É tempo de, no deserto de nossa vida, subirmos a montanha e encontrar a Deus que sempre está conosco, Ele é o “DOMINUS TECUM” – (O Senhor é contigo); não tenhamos medo de viver com intensidade de fé e comunhão a nossa amizade com Jesus. Já dizia Santa Teresa de Jesus: “O Demônio tem medo de almas decididas”. Decidida por quem e pelo que? Por Deus e pelo Reino. Decidamos estar na graça de Deus e buscar a nossa santidade de vida. Ele já nos escolheu por primeiro (cf. Jo 15,16). Ao viver esse tempo santo de preparação para a Páscoa do Senhor, possamos nós, alimentados pela Palavra e a Eucaristia, caminhar com a nossa cruz nesse sagrado tempo.

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Carregar a cruz com Jesus é sentir as suas dores, sua agonia, sua flagelação, seu sofrimento. Caminhar com o Mestre é configurar as nossas práticas, nossa vida, palavras e ações às de Cristo Jesus. Deixemo-nos configurar ao sofrimento do Messias nessa quaresma, para estarmos do seu lado no ‘Monte Calvário’.

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Na experiência do deserto quaresmal nos configuramos ao deserto do Senhor Jesus no ‘Monte das Oliveiras’, lugar da manifestação do amor de Deus, de sua presença, convertendo assim o nosso ser cristão num evangelho praticado. Dizia São Francisco de Sales: “Só confia n’Ele e Ele continuará conduzindo você seguramente através de tudo […]”.

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Caminhemos olhos fixos em Jesus buscando a maior glória de Deus. Cristo caminhará conosco nesse sagrado tempo; Ele que é Deus com o Pai e o Espírito Santo e vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém!

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 Santa Quaresma!

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Sem. Ramon Lima
Diocese de Eunápolis (BA)
4º de Teologia, 2019

Sentido para a Vida

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Sentido para a Vida

‘Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?’ (Sl 8, 5)

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“Imaginemos um barco que navega sem rumo. Imaginemos um transatlântico moderno sulcando o mar a grande velocidade e com absoluta precisão. Mas…sem destino. Dentro do pequeno mundo da embarcação tudo é lógico e inteligente; as engrenagens, o motor, os empregados de bordo que se dedicam às tarefas que lhe são atribuídas. O sistema alimentar, as relações sociais, os jogos, o amor, os divertimentos que admiravelmente distraem os passageiros. Parece um pequeno paraíso. Do casco para dentro, o regime é ideal; no entanto, objetivamente, vistas as coisas do lado de fora, tudo é absolutamente irracional. Porque nenhum dos navegantes sabe para que estão ali e qual é o porto de chegada. Uma verdadeira loucura: um dia qualquer, sem se saber qual, os motores pararão por falta de combustível e todos serão engolidos pelas ondas do oceano. E de repente, o barco afunda!” (CIFUENTES, Rafael Llano. Deus e o sentido da vida).

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A cada ser humano cabe a tarefa de buscar o sentido de sua vida e não ficar a deriva como um navio sem rumo.
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Desde tempos passados o homem tem se questionado sobre sua existência. Diversas vezes tem feito a si próprio perguntas fundamentais: quem sou eu, de onde venho e para onde vou? E nas dessemelhantes respostas achadas pelo caminho, chegou finalmente a indagar: para que vivo? Qual o sentido fundamental da minha vida?
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Inúmeras pessoas, jovens e adultos, embarcam num modo de vida semelhante ao do navio. Preenchem seus dias com diversas atividades, correspondem aos seus compromissos e tarefas diários, tudo parece caminhar bem. Todavia, ausentes de um sentido profundo em suas vidas, estão enraizados na materialidade das coisas, não ultrapassam aquilo que os olhos lhe permitem ver e levam a vida rumo ao nada. A morte será seu próximo encontro.
Entretanto, que vantagem teríamos se só vivêssemos assim? Qual lucro obteríamos caminhando rumo ao nada? A verdade é que todos vivemos para algo muito importante e que nos impulsiona para frente, para além de nós mesmos; é um instinto de felicidade eterna que não pode ser saciado com as coisas efêmeras que a vida material nos proporciona. Em último significado: é o desejo, a saudade de Deus, autor da Verdadeira Felicidade.
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Note-se, porém, que Deus não é inventado como um mecanismo “para dar sentido”, mas percebemos Deus por trás das coisas, ao simples contemplar da “obra universal” que se põe a nossa frente, por exemplo. Encontramos o próprio Deus no mais íntimo de nós mesmos como exclamava Santo Agostinho: “Tarde Te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te Amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora…Estavas comigo, e eu não estava contigo…Exalaste o teu perfume e, respirando0o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por tua paz!” (Agostinho. Confissões).
Finalmente, não seria uma loucura saber que Deus vive, e viver como se não soubéssemos? Assim como o navio, nossa vida pode estar sendo esse casco duro, repleto de inúmeras ocupações que nos aparecem, estudos, trabalhos, diversões, mas que não nos dão o sentido de nossa vida. Desafio-te a avançar a águas mais profundas, a mergulhar no seu próprio íntimo para que aí encontre Deus. Este Deus que é o único capaz de dar o Verdadeiro sentido à nossa vida.
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Sem. Manoel Lauro
Diocese de Penedo
1º de Teologia, 2018

Páscoa: Expressão Máxima do Amor de Deus

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Páscoa

Expressão Máxima do Amor de Deus

 

Uma luz reluziu. A salvação, da árvore da Cruz brotou, o menino nascido em Belém, na cruz reconduziu o povo prisioneiro, das amarras do Pecado à liberdade. A Páscoa dos judeus tornou-se Universal, pois, por toda humanidade, Deus se encarnou. O novo Adão se fez obediente e obedeceu ao Pai de maneira tão sublime que, como um Cordeiro subiu ao altar do sacrifício, não reclamou, foi de livre vontade sacrificar-se, fez do lenho seco da Cruz seu trono, amou-nos e ao Pai por nossa liberdade se entregou.
Depois daquela sexta-feira fatídica, os discípulos do Senhor se dispersaram, o medo tomou conta, o Filho de Deus estava morto, o Senhor estava agora em um túmulo, durante três dias. Enquanto muitos decidiram voltar a vida comum, o Senhor ressuscita, aparece às mulheres, depois a Pedro e João. Filhos, não voltem a mesmice de antes: seu Senhor ressuscitou e resgatou-vos da morte. Ele resgatou os justos, lavou nossos pecados com seu sangue e assim começou um novo tempo. Agora, a Páscoa dos Judeus, que celebravam a libertação do cativeiro do Egito, pela morte e ressurreição do Cristo de Deus iniciou-se uma Nova Páscoa. Agora, não só os Judeus estavam livres do cativeiro, mas toda humanidade foi libertada do cativeiro do pecado, da morte eterna. Se no antigo testamento Moisés conduz o povo judeu à terra prometida, no novo testamento, o nosso Senhor Jesus Cristo, vem nos conduzir à Nova Terra prometida, a morada eterna, à casa do Pai.
A Páscoa é, para nós cristãos, a expressão máxima do amor de Cristo. Após sua morte, celebramos a sua ressurreição: a vitória sobre o pecado e a morte. Cristo adentra as nossas vidas, acalma nossos corações, nos diz que não precisamos ter medo: a paz está conosco, o Senhor não nos abandonou. Ele nos introduz na vida divina e principalmente nos convida a ressuscitarmos com Ele, abandonado a vida antiga e com Ele participando na vida divina. A Páscoa é encontrar a nova vida, é alegrar-se n’Aquele que é Amor.
Sem. Jordan Fonseca
Diocese de Penedo
2º de Filosofia, 2018